O terror folk é um subgênero do cinema que une o medo à tradição, explorando costumes antigos e comunidades isoladas para criar histórias assustadoras. Diferente do terror sobrenatural comum, esse estilo se apoia em rituais, crenças e na hostilidade das vilas, onde o forasteiro, geralmente, está em perigo.
Este tipo de filme ganhou destaque entre o final dos anos 1960 e início dos anos 1970 com produções britânicas clássicas que estabeleceram os temas e o clima rural do terror folk. Desde então, o gênero evoluiu e atraiu diretores que misturam folclores locais com suspense intenso.
Apostle (2018)
No período de 1905, Thomas Richardson (Dan Stevens) embarca em uma missão para resgatar sua irmã sequestrada em uma ilha remota. Dirigido por Gareth Evans, conhecido por filmes de ação, Apostle aposta em um suspense sombrio onde uma seita religiosa liderada pelo carismático Malcolm Howe (Michael Sheen) mantém práticas brutais.
O filme revela gradualmente elementos sobrenaturais ligando a comunidade a uma deusa misteriosa e mitologias inquietantes. A violência gráfica serve para enfatizar o terror folk dessa obra moderna, que segue o retrato da tensão entre a fé e a ameaça.
The Ritual (2017)
Quatro amigos britânicos realizam uma caminhada pela floresta sueca em homenagem a um amigo falecido, mas o passeio se transforma em pesadelo quando encontram símbolos perturbadores. O diretor David Bruckner mistura thriller de sobrevivência com horror sobrenatural, a partir da mitologia nórdica.
A criatura Jötunn, adorada por uma comunidade isolada, ronda a floresta e cria um ambiente de terror crescente. O ator Rafe Spall interpreta Luke, um personagem fragilizado pela culpa, que se torna a peça central da história. A ambientação na natureza antiga intensifica a sensação de ameaça constante.
The Blood on Satan’s Claw (1971)
Ambientado na Inglaterra do século XVII, o filme de Piers Haggard mostra o que acontece quando ossos estranhos são encontrados em uma plantação, desencadeando mudanças violentas entre os jovens da vila. Sob a influência de Angel Blake (Linda Hayden), os adolescentes abraçam rituais ligados a uma força maléfica.
Esse clássico do terror folk britânico mistura ficção sobrenatural com o cenário rural, criando um clima sombrio e angustiante. O equilíbrio entre a ansiedade religiosa e as cenas violentas tornou o filme referência para vários trabalhos posteriores do gênero.
Kill List (2011)
Ben Wheatley apresenta em Kill List a história de dois ex-soldados que agora são assassinos de aluguel. O filme começa como um thriller criminal, mas gradualmente mergulha no terror folk, mostrando uma trama marcada por símbolos misteriosos e encontros perturbadores.
Jay (Neil Maskell) e Gal (Michael Smiley) enfrentam uma missão que conecta alvos aparentemente sem relação. A ambientação contemporânea e a ausência de respostas claras aumentam a sensação de desconforto, até o final surpreendente que deixa o espectador inquieto.
The Wailing (2016)
A Coreia do Sul contribui para o gênero com The Wailing, dirigido por Na Hong-jin. Um policial chamado Jong-goo (Kwak Do-won) investiga uma série de mortes violentas em uma vila afastada, onde residentes suspeitam de um estranho japonês.
O filme mistura folclore xamânico coreano com elementos cristãos e apresenta cenas de rituais que envolvem tensão e mistério. A investigação se complica quando a filha do policial começa a agir de forma assustadora, mostrando as dúvidas e crises de fé típicas do terror folk.
Witchfinder General (1968)
Michael Reeves narra a perseguição de bruxas durante a Guerra Civil Inglesa em Witchfinder General. Vincent Price interpreta Matthew Hopkins, caçador de bruxas que usa tortura para extrair confissões, provocando o conflito com um jovem soldado.
Sem apresentar elementos sobrenaturais, o filme aborda o terror gerado pela perseguição religiosa e o medo da superstição. Junto com The Blood on Satan’s Claw e The Wicker Man, é uma das pedras fundamentais do terror folk britânico.
The Blair Witch Project (1999)
Daniel Myrick e Eduardo Sánchez criaram um fenômeno com The Blair Witch Project, que acompanha três estudantes investigando uma bruxa lendária na floresta de Burkittsville, Maryland. O formato found footage gerou uma experiência imersiva e inovadora no cinema de terror.
A campanha de marketing sugeria que os eventos eram reais, o que intensificou o medo do público. O filme não mostra a entidade, usando o folclore para tornar o território—no caso, a floresta—uma presença ameaçadora e assustadora.
Midsommar (2019)
Dirigido por Ari Aster, Midsommar se passa em um festival sueco durante o verão, onde Dani (Florence Pugh) presencia costumes que parecem benignos, mas escondem uma realidade perturbadora. O terror ali acontece à luz do dia, o que cria uma atmosfera desconfortante.
Pugh se destaca ao mostrar a vulnerabilidade emocional da personagem, que é manipulada pela comunidade. O filme explora temas de luto e pertencimento, terminando em uma transformação impactante que questiona os limites entre libertação e opressão.
The Witch (2015)
O filme de estreia de Robert Eggers, The Witch, é ambientado na Nova Inglaterra de 1630. Após ser expulsa de uma comunidade puritana, uma família se instala perto de uma floresta e começa a enfrentar desconfianças internas, especialmente após o desaparecimento de um bebê.
Anya Taylor-Joy interpreta Thomasin, que se torna o centro das suspeitas familiares. A linguagem de época, a ambientação sombria e o papel simbólico do bode Black Phillip fazem deste título um dos maiores exemplos do terror folk focado no medo religioso.
The Wicker Man (1973)
Robin Hardy criou uma obra emblemática do terror folk em The Wicker Man. O policial cristão Neil Howie (Edward Woodward) investiga o desaparecimento de uma jovem em uma ilha escocesa, onde a população liderada por Lord Summerisle (Christopher Lee) adere a práticas pagãs.
O contraste entre rituais festivos e o clima de ameaça crescente diferencia o filme. A certeza com que os personagens defendem suas crenças e a atuação de Christopher Lee marcam esta produção como um clássico do gênero, famoso pelo fim surpreendente.
O terror folk na cultura contemporânea
Estas produções mostram como o terror folk une folclore, tradições remotas e o medo do estranho para criar histórias que permanecem na memória. A Revista em Veredas traz esse panorama para leitores que gostam de cinema, folclore e narrativas intensas.
Se você gostar de terror com toques culturais, também pode se interessar por novidades em tecnologia, cursos gratuitos e até notícias sobre o mundo do entretenimento, garantindo uma fonte diversificada de informação.

