O diretor britânico Danny Boyle, ganhador do Oscar e Globo de Ouro, trouxe sua nova produção para o Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) em 2026. O longa “Ink”, inspirado em uma história real e no livro homônimo, narra os bastidores da tentativa de renovação do jornal britânico The Sun, acompanhando as trajetórias de Larry Lamb e Rupert Murdoch.

    Com um olhar sobre os desafios na mídia impressa, o filme coloca em foco a interação entre o editor Larry Lamb, vivido por Jack O’Connell, e o empresário Rupert Murdoch, interpretado por Guy Pearce. A estreia no TIFF já desperta debates acalorados, principalmente pela forma como os personagens são representados.

    Retrato polêmico de Larry Lamb e Rupert Murdoch no filme Ink

    “Ink” constrói uma narrativa de superação, mostrando Larry Lamb como um jornalista insatisfeito no The Mirror. Para ele, assumir o cargo de editor-chefe indicado por Murdoch representa a chance de mudar sua carreira. Murdoch surge como uma figura ambiciosa mas subestimada por sua origem australiana e traços de arrogância.

    No entanto, especialistas e parte do público criticam o longa pela forma como suaviza ou até ignora os efeitos negativos causados pelas ações do duo na mídia. Escândalos históricos, como a cobertura do desastre de Hillsborough, a morte da Princesa Diana e investigações sobre grampos telefônicos, passam quase em branco ou recebem tratamento superficial.

    Essa forma de abordagem é vista como uma distorção da realidade, principalmente no Reino Unido, onde os impactos midiáticos das decisões de Murdoch e Lamb ainda reverberam. Ao priorizar um relato inspirador, o filme ignora a gravidade dos episódios controversos associados.

    A construção do personagem Rupert Murdoch também chama atenção. Ele é mostrado como um homem razoável, que tenta dissuadir Lamb de publicar matérias sensíveis e evita que imagens indevidas sejam divulgadas. Essa simplificação da figura real não condiz com a complexidade e a controvérsia da trajetória do empresário.

    Inspiração em “The Social Network” fica aquém no filme Ink

    Boyle revelou que “Ink” teve inspiração direta no filme “The Social Network”, que narra a ascensão e os dilemas éticos de Mark Zuckerberg. Contudo, o longa não consegue atingir a mesma profundidade ou apresentar personagens tão multifacetados e complexos quanto o rival de Fincher.

    Enquanto Zuckerberg é mostrado com claros defeitos e uma personalidade com nuances, discernível como antagonista no enredo, “Ink” evita essa avaliação crítica, criando retratos mais planos de seus protagonistas. Seu ritmo, marcado por diálogos rápidos e montagens do crescimento do The Sun, acaba parecendo superficial para vários críticos.

    Além disso, o desfecho do filme deixa a desejar, sem um fechamento forte ou uma conclusão definitiva. Isso levanta questionamentos sobre a direção artística e a intenção narrativa deste trabalho de Boyle.

    Lançamento e especificações técnicas do filme Ink

    Após sua exibição no TIFF 2026, “Ink” tem estreia marcada para o dia 11 de dezembro de 2026 em salas selecionadas nos Estados Unidos. A partir de 8 de janeiro de 2027, o filme será disponibilizado na Netflix, ampliando seu alcance para o público global.

    O longa tem 116 minutos de duração, classificação indicativa para maiores de 17 anos e pertence aos gêneros drama e história. O roteiro é assinado por James Graham, com produção de Tessa Ross, Tracey Seaward, Michael Ellenberg e o próprio Danny Boyle.

    • Diretor: Danny Boyle
    • Roteiro: James Graham
    • Produtores: Tessa Ross, Tracey Seaward, Michael Ellenberg, Danny Boyle
    • Duração: 116 minutos
    • Lançamento: 11 de dezembro de 2026
    • Classificação: R (maiores de 17 anos)
    • Gêneros: Drama, História

    Os protagonistas são vividos por Guy Pearce no papel de Rupert Murdoch e Jack O’Connell como Larry Lamb. Apesar da direção experiente, o filme recebeu avaliações críticas mornas, com média de 4 em 10, indicando recepção negativa.

    Impactos e críticas ao retrato midiático no filme Ink

    A narrativa do filme se concentra na transformação do The Sun a partir do ponto de vista dos personagens centrais. No entanto, essa abordagem causou desconforto por não abordar com peso os desdobramentos éticos e sociais das escolhas editoriais de Murdoch e Lamb.

    Enquanto o longa tenta construir uma história inspiradora no universo do jornalismo, ele falha em apresentar uma discussão mais realista sobre a influência massiva da mídia e suas consequências. Essa ausência repercute principalmente entre quem conhece o histórico controverso envolvido.

    Para quem acompanha lançamentos e produções que envolvem figuras reais e temas ligados à mídia, como na produção “The Assassin(s)”, a tentativa de Boyle representa um desafio na hora de equilibrar fatos e dramatização.

    Ficha técnica essencial e principais nomes da produção

    O filme conta com um elenco destacado, liderado por Guy Pearce e Jack O’Connell, que dão vida ao empresário Rupert Murdoch e ao editor Larry Lamb. A diretoria de Boyle, reconhecida por filmes anteriores, trouxe expectativa para a obra, mas isso não se refletiu totalmente nas críticas.

    O roteiro de James Graham procura construir uma narrativa rápida e dinâmica, focada em diálogos ágeis e momentos de tensão, mas acaba não explorando completamente os conflitos internos e externos dos protagonistas. Essa escolha resultou em uma obra que deixa o público dividido.

    Para interessados em cinema e produções que abordam temas jornalísticos e tecnológicos, “Ink” apresenta uma tentativa interessante, ainda que polêmica, de se aprofundar nos desafios da mídia impressa, tema que pode dialogar com diversos públicos, inclusive os que acompanham notícias de séries e lançamentos atuais na Netflix.

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    Redator com 5 anos de experiência. Venho através do Concursos em Brasil, trazer notícias frescas sobre concursos rolando no Brasil!

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