Hugh Howey, autor da aclamada série de ficção científica Silo, revelou recentemente a obra que mudou sua forma de escrever. Conhecido por criar um universo onde a humanidade vive em um grande silo subterrâneo, Howey ganhou notoriedade desde a publicação independente do livro Wool, em 2011. A saga ganhou ainda mais destaque com as continuações Shift e Dust, culminando na série da Apple TV, que já exibe três temporadas e tem a quarta prevista para 2027.
Com um elenco de peso liderado por Rebecca Ferguson e uma indicação ao Emmy, a adaptação de Silo mantém a atenção dos fãs em alta. Paralelamente, o autor também viu seu romance Beacon 23 ganhar versão televisiva, consolidando seu nome no gênero sci-fi. Em entrevista recente, Howey compartilhou qual livro o inspirou a evoluir sua técnica de escrita.
Hugh Howey e o livro que influenciou sua escrita
Em conversa no The Tim Ferriss Show, Hugh Howey destacou o romance This Is How You Lose the Time War, de Amal El-Mohtar e Max Gladstone, como uma obra que mexeu profundamente em seu estilo literário. O livro, publicado em 2019, chamou a atenção do escritor pelo uso da estrutura e da linguagem, que ele descreveu como “musicalidade das palavras”.
Howey ressaltou que o ritmo e a fluidez presentes na narrativa foram um verdadeiro exercício para afiar sua habilidade de escrita. Ele ainda comparou o estilo à musicalidade encontrada em autores como Marcel Proust, evidenciando como o livro o ajudou a enxergar a literatura sob outra perspectiva. Essa experiência impactou diretamente seu processo criativo, especialmente para histórias dentro da ficção científica.
O enredo e formato de This Is How You Lose the Time War
This Is How You Lose the Time War mistura elementos de ficção científica, viagem no tempo e romance. A trama acompanha dois agentes, Vermelho e Azul, que lutam em lados opostos de uma guerra entre impérios. Eles têm a missão de alterar eventos em diferentes realidades e linhas do tempo para favorecer seus respectivos grupos.
Ao trocarem cartas que começam com ironias e provocações, os agentes acabam construindo um romance complexo, desafiando as ordens superiores. A narrativa apresenta tentativas de extinguir esse relacionamento, incluindo planos de assassinato e manipulações temporais para apagar o vínculo entre eles.
Escrito no formato epistolar, o livro foi criado por meio de uma colaboração única. Max Gladstone ficou responsável pelas cartas de Vermelho, enquanto Amal El-Mohtar escreveu as de Azul. O trabalho conjunto seguiu a técnica do “exquisite corpse”, em que cada autor desenvolvia sua parte sem conhecer o texto do outro, o que tornou a obra ainda mais surpreendente.
Prêmios e relevância da obra para a ficção científica
A alternância entre as vozes narrativas é um dos pontos que Hugh Howey destacou como fundamental para o sucesso do livro. This Is How You Lose the Time War colecionou importantes prêmios, incluindo os Nebula e Hugo, reconhecimentos máximos da literatura sci-fi.
Além disso, os autores continuam ativos em suas carreiras: Amal El-Mohtar lançou o romance The River Has Roots em 2025, e Max Gladstone trabalha na série de fantasia Craft Sequence, com três livros publicados entre 2023 e 2025. A experiência com essa obra ajudou Howey a redescobrir elementos que aprimoraram seu estilo e enriqueceram sua produção literária.
Reflexos dessa influência no trabalho de Hugh Howey
O impacto da musicalidade e da estrutura narrativa que Howey absorveu de This Is How You Lose the Time War ressoa em suas obras mais recentes. O autor incorporou essas lições para fortalecer a complexidade e o ritmo de seus textos no gênero da ficção científica, aumentando ainda mais a qualidade e o envolvimento dos leitores.
Essa evolução também reforça o interesse em adaptações para TV e outras mídias, como já visto em Silo e Beacon 23. Para fãs de ficção científica, a trajetória de Howey oferece um exemplo de como o contato com novas narrativas pode renovar o processo criativo.
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