The Substance, lançado em setembro de 2024, entrega um final marcado pela tragédia e pelo horror corporal. O filme aborda questões como autoestima, envelhecimento e os limites da busca pela juventude, dentro da pressão da indústria do entretenimento. A trama explora a relação entre Elisabeth e sua versão mais jovem, Sue, conectadas por um estranho soro que permite trocar de corpo semanalmente.
Elisabeth Sparkle (Demi Moore) é uma atriz de TV fitness que perdeu o protagonismo após o sucesso diminuir. Sue (Margaret Qualley), sua duplicata jovem, ressurge como o reflexo idealizado da própria Elisabeth. No enredo, as duas dividem a mesma vida, alternando entre si a cada sete dias, governadas por regras rígidas do soro misterioso substância.
Transformação e fim trágico de Elisabeth e Sue em The Substance
O fechamento da história é intenso e chocante. Depois que Sue elimina Elisabeth para assumir seu corpo sem rivais, sua condição começa a se deteriorar. O corpo jovem enfraquece sem o uso constante do soro, que deveria ser aplicado seguindo regras sobre sua frequência. Desesperada, Sue tenta reativar o produto, cujo uso deveria ser único, fecho da narrativa.
Nesse processo, acontece uma fusão grotesca entre as duas personalidades. Elisabeth volta à vida, porém amputada e fixada na parte de trás do corpo de Sue. A figura monstruosa, apelidada de Monstro Elisasue, aparece no palco de um show de Ano Novo com seu rosto deformado e partes do rosto de Elisabeth usadas como máscara, uma cena que chocou o público pela violência gráfica.
Enquanto o monstro causa repulsa, Sue foge do evento, mas seu corpo não resiste à deterioração. O filme mostra sua quase morte e Elisabeth reduzida ao rosto preso às costas da criatura, com sua existência prestes a acabar. Essa transformação ilustra a dimensão sombria do conflito interior que as personagens vivem, destacando as consequências amargas da autodestruição.
O motivo para Sue matar Elisabeth e sua consequência
Durante o filme, uma organização misteriosa explicita que Elisabeth e Sue são partes da mesma pessoa, induzindo-as a cooperar. Porém, a rivalidade cresce, e ambas passam a competir pela continuidade da vida compartilhada. Sue decide manter seu domínio, mesmo com os riscos, enquanto Elisabeth fica física e emocionalmente fragilizada.
Quando Elisabeth recupera o controle momentaneamente, se esforça para matar a versão mais nova, mas poupa Sue depois de administrar metade do soro. Ao acordar, Sue não retribui a clemência e executa Elisabeth. Esse momento evidencia a perda de controle de Elisabeth sobre sua própria imagem e desejos.
Entretanto, a vitória de Sue é também seu fim, porque a ausência de Elisabeth faz com que o soro estabilizador não seja mais produzido. Sem essa contribuição, Sue começa a se autodestruir rapidamente, culminando no choque final da trama que mostra a transformação em monstro.
Origem do soro Substance e mistérios não revelados
Um ponto central de The Substance é que a empresa por trás do soro nunca é identificada. Elisabeth conhece o processo por meio de uma enfermeira anônima, que surge após um acidente de carro. Ao longo do filme, o mistério cerca a fonte do soro, e a organização interage apenas por mensagens e chamadas anônimas.
Elisabeth retira o soro em um local discreto de Los Angeles, sem nenhum contato direto com os fabricantes. A produção evita apresentar a empresa como antagonista, pois orienta Elisabeth sobre o uso do soro sem forçá-la. Essa autonomia reforça que o desdobramento trágico é consequência das escolhas pessoais das protagonistas.
Harvey e o programa Pump It Up: a face sombria da indústria do entretenimento
Harvey, interpretado por Dennis Quaid, é o produtor misógino do programa Pump It Up, que Elisabeth comandava. Ele manipula e explora a baixa autoestima dela para pressioná-la a usar o soro, mantendo o controle do sucesso na TV. Apesar do fracasso de sua festa de Ano Novo, Harvey comemora o sucesso do programa com Sue.
A trama deixa claro que ele não enfrenta nenhuma punição, simbolizando a impunidade e exploração presentes no meio artístico. O filme reforça a ideia de que figuras poderosas controlam carreiras sem levar em consideração o bem-estar dos artistas, que acabam descartados quando não servem mais.
A última cena mostra Harvey e outros homens brancos ricos observando jovens talentos e pressionando Sue a sorrir, destacando estruturas predatórias comuns em Hollywood.
Recepção ao final de The Substance
The Substance conquistou ótima recepção da crítica, com 89% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma indicação ao Oscar para Demi Moore. No entanto, parte do público está dividida, com aprovação em torno de 75%, especialmente pela intensidade e excesso das cenas finais.
Alguns espectadores consideraram a reta final exagerada e prefeririam uma conclusão mais introspectiva, talvez revelando que tudo fosse uma ilusão. Já críticos como Peter Travers, da ABC News, ressaltaram que o desfecho é essencial para a mensagem do filme, criticando a obsessão social pela juventude e elogiando a atuação de Moore.
Fóruns na internet mostram debates entre quem vê o final como exagerado e sangrento e quem acredita que essa violência simbólica reforça o impacto da obra. Esta abordagem é semelhante em outras produções recentes que discutem temas profundos com toques de horror, como no caso do filme Godzilla Minus Zero, que também traz classificações intensas para entregar sua mensagem.
Vale a pena assistir The Substance?
The Substance se destaca ao unir elementos de terror corporal, drama e crítica social, com um roteiro que expõe os conflitos internos ligados ao envelhecimento e à autoestima. A atuação de Demi Moore e Margaret Qualley chama atenção, assim como o lado sombrio da indústria do entretenimento evidenciado na trama.
Apesar da controvérsia sobre o final, o filme oferece uma reflexão difícil sobre identidade e autodestruição, sendo indicado para quem gosta de obras provocativas e intensas. O longa está disponível em plataformas como HBO Max e Prime Video, garantindo fácil acesso para o público interessado.
Essa produção é destaque recente no cinema e no streaming, chamando atenção tanto para as performances quanto para o desafio de lidar com temas delicados, questões que também aparecem em discussões atuais na área de entretenimento e tecnologia.
Na Revista em Veredas, acompanhamos de perto como filmes como The Substance trazem à tona debates sobre autoconhecimento e transformação, dialogando com temas presentes em outras produções e no contexto do mercado audiovisual.

