A segunda temporada de Marshals, série derivada do universo de Yellowstone, enfrenta críticas devido à forma como desenvolve sua narrativa, especialmente após o episódio 5. O desfecho das cenas dramáticas tem trazido decepções para os fãs, que veem promessas não cumpridas nos momentos de suspense.
No quarto episódio, uma explosão envolvendo os personagens Kayce Dutton e Andrea Cruz causou apreensão ao público, mas o capítulo seguinte revela rapidamente que ambos sobreviveram, o que evidencia uma das principais falhas da série em manter o interesse e o impacto dos seus enredos.
Dificuldades do spin-off na construção da história
Marshals ainda luta para conquistar seu lugar dentro do universo expandido de Yellowstone, sem conseguir definir uma linha clara para sua trama. A temporada inicial já mostrava oscilações, mudando de foco e sem estabelecer um tom fixo, o que reflete na recepção do público.
Um exemplo foi o episódio de abertura da segunda temporada, com o personagem Tate Dutton sendo capturado por Tom Weaver, um investidor e fazendeiro. A cena sugeriu um possível crossover real com Dutton Ranch, mas logo desfez a tensão, mostrando Tate tranquilamente em Wyoming, enquanto Weaver acabava preso, tornando essa ameaça praticamente irrelevante para a trama.
Cliffhangers repetidos mas sem desdobramentos reais
No decorrer da primeira temporada, foi criado um triângulo amoroso entre Kayce Dutton, Andrea Cruz e Dolly Weaver. Após a morte de Dolly no início da segunda temporada, Andrea e Kayce ganharam espaço para aprofundar o relacionamento.
No quarto episódio desta temporada, chamado Blast Radius, Kayce e Andrea enfrentam juntos desafios emocionais e profissionais ao executar mandados, culminando na explosão que os lança para o ar. A expectativa era de que o suspense em torno do acidente fosse explorado de forma mais dramática.
No entanto, o episódio 5, Secret Weapon, mostra ambos acordando e se recuperando com rapidez, diminuindo o impacto da cena explosiva. A narrativa segue normalmente, o que deixa evidente uma repetição fracassada de cliffhangers que prometem muita tensão, mas não geram consequências duradouras.
Roteiro simplificado e apelo excessivo ao público
Com criação de Spencer Hudnut, também responsável por SEAL Team, Marshals adota um formato procedural típico de séries de rede, diferente das produções premium da HBO. Ainda assim, o roteiro frequentemente simplifica demais os conflitos para que o público acompanhe sem dificuldades.
Um exemplo claro aparece no episódio 5, quando personagens analisam marcas de pneus próximas à explosão e especulam sobre bombardeios em curso. Pete Calvin, vivido por Logan Marshall-Green, diz: “Alguém está dirigindo essa bomba agora e não sabemos qual é o alvo”. Essa simplicidade na construção reforça a sensação de subestimar a inteligência do telespectador.
Os momentos em que surgem ameaças e conflitos importantes acabam sendo rapidamente resolvidos ou ignorados. Rivais introduzidos na temporada anterior foram descartados sem desenvolvimentos, e as tramas não atingem o padrão das séries originais de Yellowstone. Apesar disso, a tentativa de alcançar esse público é constante, mas sequer alcança a qualidade vista em outras produções, frustrando os expectadores.
Marshals busca estabilidade, mas tropeça em episódios como o 5
O spin-off ainda tenta firmar seu espaço, porém episódios como o quinto da atual temporada mostram os desafios da série para manter o interesse do público de forma consistente. A repetição de enredos previsíveis e a falta de consequências reais para os cliffhangers evidenciam a necessidade da produção repensar sua abordagem.
Enquanto isso, o universo mais amplo de Yellowstone segue em alta, aguçando a curiosidade dos fãs para outras produções do gênero que conseguem equilibrar suspense e desenvolvimento sólido — às vezes até lembrando obras de autores como Stephen King, que acumulou clássicas adaptações ao longo dos anos, com filmes que ficaram escondidos nas décadas passadas e agora são redescobertos por novos públicos.
Vale a pena acompanhar Marshals na segunda temporada?
Marshals traz elementos que poderiam funcionar para quem gosta de séries policiais com um pano de fundo rural e familiar. Contudo, a insistência em cliffhangers sem grandes consequências e os roteiros que parecem subestimar o público podem afastar os espectadores. Para aqueles interessados na expansão do universo Yellowstone, o spin-off apresenta dores de crescimento e tentativas ainda não totalmente bem-sucedidas de prender a audiência.
O desafio da série está em encontrar a forma certa para equilibrar drama, ação e desenvolvimento de personagens, sem depender exclusivamente de artifícios narrativos que frustram. Enquanto isso, a tendência é que o interesse seja maior para produções mais consolidadas e séries que exploram suas premissas de forma clara e envolvente.
O jornalista do Revista em Veredas continuará acompanhando a evolução do spin-off, trazendo atualizações sobre a temporada e outras novidades do mundo do entretenimento e da tecnologia.

